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Tristeza Repentina

17 fev

Não tem razão pra ser feliz quem nunca ficou triste sem razão.

Acho um tanto quanto irritante quando acordo triste. O que me irrita é a falta de um motivo: nada de noite mal dormida, nada de briga no dia anterior, nada de tpm. Só uma melancolia insistente, tão imprevisível quanto o clima.

Já estou familiarizada com a sensação de acordar, olhar pela janela, sentir o silêncio e mais um dia nascendo aos poucos. A luz abrindo caminho na escuridão. Tem dias que acho isso inspirador. Enquanto tem outros em que tenho vontade de gritar “DE NOVO ISSO??” e ir fazer as mesmas coisas de sempre, a invencível rotina.

Eu queria entender porque sou capaz de estragar meu dia instantaneamente após acordar, sem motivos aparentes. E quando parei pra pensar, vi que a coisa toda está aí: aparentes. Todas as coisas estressantes, irritantes, chatas e desagradáveis do cotidiano não somem sozinhas. Elas ficam em algum lugar da mente esperando pra se sobressair um pouquinho. O problema raramente fica na superfície.

Nesses dias cinzas, me dá uma vontade gigante de ter a maior liberdade do mundo. Não a estátua. Liberdade mesmo. Só que a minha ideia de liberdade também envolve possibilidade, e aí a coisa fica ainda mais utópica. Eu queria pegar um avião, sozinha, pra qualquer lugar desconhecido. Aprender sozinha uma nova cultura, uma nova língua, e antes de me apegar demais ao lugar ou às pessoas, ir embora pra outro lugar. Eu queria tirar muitas fotos, o tempo todo, de todas as coisas, só pra ficar admirando depois. Eu queria que ninguém soubesse onde eu estou. Algo como “Ei, você viu a Isabella?”"Ah, dizem que ela saiu por aí, foi ser feliz..” E pronto. Isso seria tudo que saberiam sobre o meu paradeiro.

Pode parecer bem infantil querer fugir assim. Mas não é. É verdade que as crianças expõem mais seus sonhos loucos. Mas os adultos são ainda mais ingênuos por os esconderem quando todos os outros o compartilham. Todos aqueles homens de terno e gravata fugiriam se pudessem, e nunca mais voltariam.

Eu queria até que ninguém me perguntasse nada, e aí eu teria tempo pra responder minhas próprias perguntas. Percebo que 98% do meu dia é dedicado a resolver problemas e dúvidas alheias, não só no trabalho. Os outros 2% representam o tempo que tenho pra mim: um banho de 15 minutos com hora marcada, um almoço de 5 minutos (se eu ficar enrolando) e mais algumas refeições beliscadas e nada saudáveis.

Algo que deveria ajudar, mas não ajuda, é quando alguém pergunta como eu estou e realmente quer saber. Não ligo se você me chama de antipática. Mas contar como foi o meu dia é contar todos os problemas que eu resolvi (ou nã0), todas as tarefas chatas que são iguais todo santo dia, e contar tudo isso é algo como reviver. Fora que me sinto menos “livre” quando ficam me sondando desse jeito. Tenho a alma de…sei lá…uma pomba. Não curto gaiolas.

Vejo boas intenções de longe, creio que o mundo precisa delas e fico grata quando são dirigidas a mim. Mas não me sinto animada a aproveitá-las sempre. Não me sinto bem respondendo a perguntas como “Onde você esteve?”, “O que você fez?” e pior ainda, “O que você vai fazer daqui a x horas?”. Me dá raiva só de pensar sobre isso. Me dá raiva ter que avisar alguém sobre minhas próximas ações. E me dá raiva explicar os motivos que me levaram a fazer algo, ainda mais quando é banal. Eu aprecio demais o inesperado pra aceitar uma coisa dessas.

Não sei, exatamente, quais são os meus problemas. Mas sei de onde eles vem, e as fontes são tantas, que não creio poder me livrar delas nessa vida. Enquanto isso, continuo reclamando diariamente do sol que entra pela janela.

Retrospectiva Pessoal em Perguntas

21 dez

Ano passado recebi este meme e fiz, aí esse ano resolvi fazer de novo. Quem quiser copiar e responder, lá vonté.

1. Onde você estava quando 2010 começou?
Na janela do quarto, olhando os fogos, do mesmo jeito que vai ser esse ano. xD

2. O que você fez em 2010 que você nunca tinha feito antes?
Fiz  muita coisa nova esse ano, no geral, coisas boas.

3. Você manteve suas resoluções de fim de ano e fará novas para 2011?
Sim, realizei a maioria, e já fiz as de 2011. =)

4. Você foi a algum show em 2010?
Sim, vários *-*

5. Você procurará um novo emprego em 2011?
Não, estou feliz com o meu.

6. Você bebeu muito em 2010?
Neeem. 0=)

(mais…)

Não aprendi a dizer Adeus

9 dez

Nunca fui dessas que ficam cheias de emoção em época de fim de ano. Aliás, pela mente de muitas pessoas, sou desprovida de sentimentos, fria e cruel, sempre, o ano inteiro. Que seja.
Meu último dia de aula na escola esse ano foi diferente do habitual. Ninguém fazer nada no último dia é normal…mas a guerra de água que atingia qualquer um no pátio foi algo bem novo naquela escola. Molhada até os ossos, comecei a lembrar de como eram as coisas…

Último dia de aula é sempre meio molhado. Mas geralmente são as lágrimas que molham todo mundo, durão ou mulherzinha, e me pareceu que aquela brincadeira maluca nada mais era do que uma tentativa coletiva de sermos durões. Muita gente ali estava substituindo as lágrimas por água.
Pra quem já não está nos tempos de escola ou acha que eu estou sendo dramática demais, tente apenas imaginar um convívio diário, meio forçado, com pessoas que você não escolheu. Porque é bem assim. A gente nem escolhe quem vai sentar do nosso lado, quem vai dividir a fila da cantina conosco todos os dias. Por isso é uma grande coincidência quando os gênios batem e acabamos amigos de quase todo mundo. Isso sim é fazer uma bela limonada com os limões que a vida deu.
E aí de repente o ano tá acabando, e acho até normal que todo mundo se afaste um pouco nas últimas semanas pra se matar de estudar e passar nas últimas provas. As aulas vagas, que antes eram do truco, agora são pra ler livros e fazer anotações (coisa que muita gente devia ter feito o ano inteiro, mas como não fez, só agora resolve se empenhar…). Então as provas passam. E aí todo mundo percebe, numa epifania grupal, que o ano quase já era. E começam a brotar, de todos os lados, notícias de que fulano vai pra outra escola, ciclano também e o beltrano, que ninguém gostava, vai ficar. Isso quando não é o último ano e cada um vai pro seu canto, correr atrás de vestibular, emprego e até casa.
Eu, que sou desprovida de sentimentos, sinto uma agulhada por cada amigo que vai partir. Quem tem sentimentos então, deve ficar todo baleado. E no fundo todo mundo sente alguma coisa. Porque agora amamos as pessoas que éramos obrigados a aturar. E estamos simplesmente confortados com a presença delas, todos os dias, do nosso lado. Dói consideravelmente saber que muitas delas não estarão no próximo ano, até que chegue a hora em que ninguém mais estará. Mas é gratificante levar conosco tudo o que elas nos ensinaram e a diferença que fizeram em nossa vida, seja emprestando uma caneta ou o próprio ombro quando foi preciso.
Não acho que balões d’água em lugar de despedidas tornem as coisas mais fáceis. Já sinto falta de algumas pessoas perto de mim, e me arrependo por não ter tido a chance de dar tchau para algumas delas que posso não ver mais. Mas estou bem, afinal, não tenho sentimentos. =)

Texto Pessimista

18 jul

Não quero ler isso quando estiver velha, porque vai soar como auto-traição.
E não queira ler isso se você for alguém depressivo, está de tpm, se impressiona fácil ou não tem opiniões muito formadas.
A questão é que tudo que tem um lado bom tem um lado ruim. Yin-yang não é só teoria. E eu vivo pensando nesses dois lados de tudo, procurando me manter no meio, conhecido como realidade. Acho mesmo que nada é completamente bom ou ruim.
Enfim. O assunto que me traz aqui hoje é a velhice. Já escrevi muito sobre o fim, a morte, um possível recomeço…mas nunca havia escrito sobre os momentos que os antecedem. Aqueles anos ou minutos, décadas ou segundos, pouco antes do fim chegar.
Vou resumir, se você ainda não percebeu o quão pessimista este texto é: não tem essa de “espírito jovem”, velhice sadia e tudo mais. Repare que eu disse “pessimista”. Mas acabei de dizer que vejo tudo pelo “meio”, pela visão da realidade, sem pender para o bom ou o ruim. Isso me leva a concluir que a realidade, neste caso, é péssima. Está me acompanhando?
Envelhecer pode ser bom, sim. O processo em si. O passar dos anos, as transições da vida. Mas ser velho, não, não é bom, não pode ser.
Quanto mais me sinto feliz por ser jovem, quanto mais coisas legais eu faço, quando faço algo que exige muita flexibilidade e consigo, enfim, quando faço qualquer coisa que só jovens conseguem (e me alegro por isso), uma parte de mim também pensa em quando eu não puder mais.
Acho que a vida é uma constante evolução. Eu, pelo menos, estou sempre buscando o aprimoramento, o crescimento intelectual. Mas acredito que chegue um momento em que eu não possa mais. Porque vou perceber que não há mais tempo. Que está quase na hora de ir.
E pra mim ser velho é isso. Sentir o fim próximo, quase te tocando. E, por Deus, como isso pode ser feliz? Como deixar para trás todas as pessoas que eu amo, todas as coisas que eu conquistei, tudo aquilo que eu sou? Como abandonar com alegria toda uma existência?
E não importa se eu tive uma vida gloriosa. Eu não acredito realmente que no fim isso importe. Aliás, quanto melhor a vida tiver sido, tão pior será abandoná-la. Talvez seja mais fácil morrer se a sua vida foi péssima e a morte será um conforto.
Mas quem quer levar uma vida péssima pra morrer feliz? Ninguém. Por isso todos tentam fazer o contrário, fingindo que são velhinhos felizes e de bem com a vida (e com a morte). E o pior, sei que eu também vou tentar quando minha hora estiver chegando. Porque ninguém vive se ficar pensando em morrer. Não sei como é sentir isso mas, no fundo da minha provável inocência, imagino que todos os velhos pensem com tristeza na morte, mascarados que sejam.
Então algumas vezes eu sofro pelos outros. Sofro quando vejo velhinhos alegres, porque gostaria de fazer eles viverem para sempre e tornar aquelas alegrias genuínas. Queria que ninguém precisasse sorrir quando só está esperando.
E sofro também pelas pessoas que deixamos pelo caminho. Como dá pra ser um velhinho feliz vendo todos os seus amigos, seus irmãos (em alguns casos, os dois são a mesma coisa), o amor da sua vida, todos morrendo, e saber que sua vez logo chega?
Então não vou terminar esse texto com uma frase tipo “Curta a sua vida enquanto você pode, aproveite o máximo” e todas essas que vejo por aí, embora algumas delas sirvam nos momentos de fraqueza. Vou terminar do jeito que comecei: realista.
Curta a sua vida, ou não curta. Tanto faz. Todos os seus arrependimentos e glórias irão embora com você, e nenhum deles vai evitar que você morra.

I’ll face myself, to cross out what I’ve become.
Erase myself, and let go of what I’ve done.
Linkin Park

(Vou olhar pra mim mesmo e riscar o que me tornei. Me apagar, e deixar ir tudo o que eu fiz.)

Post Scriptuns:

Muitas pessoas me escrevem agradecendo por algum texto meu ter alegrado o dia delas, ou pelo blog ter ajudado em algo. Sei que isso não vai acontecer com este post, ele não alegrou dias nem ajudou em algo, no máximo mostrou que ainda existe alguém disposto a lidar com realidade como ela é. Aproveito para agradecer a quem leu e me desculpar por ter provavelmente destruído um pouco da sua alegria (principalmente se você for velho), mas eu avisei no começo.
E quero deixar claro também que quando usei o termo “velho” neste texto, não foi de forma pejorativa, mesmo porque ser velho não é ofensa (se você não é, vai chegar lá). Apenas julgo esta como a palavra mais honesta e clara para transmitir a ideia.
E sei que é muito lindo quando dizem “jovens de 85 anos” naquelas reportagens sobre bailes da 3ª idade. Mas minha filosofia me diz pra falar a verdade. Eles não são jovens.

Relações de Massinha

3 jul

Qual você escolheria?

Hoje eu queria falar sobre as relações humanas. Eu sei que isso parece muito com começo de texto filosófico, mas não é. Não pretende ser.
As relações humanas…elas são…ãhmm…extremamente complexas. Envolvem mais de uma pessoa (juura?) e talvez seja por isso. Porque ser uma pessoa é simples, ao menos você se entende. Agora se relacionar com alguém, seja da forma que for, é ser duas pessoas. E isso, meu amigo, é realmente complicado.
Uma relação não é como juntar duas pecinhas de Lego. Grudou, juntou, e é isso, depois se quiser, separa.
Não…é mais como misturar duas cores de massa de modelar, uma parte sempre fica na outra, e por mais que você tente tirar todos os resíduos, a cor sempre fica um pouquinho manchada. A não ser que você tire alguns pedaços. Mas se você fizer isso, vai estar perdendo um pouco das duas cores, certo?
E sem querer achei um exemplo muito bom do que eu quero falar. A partir do momento em que nos relacionamos de verdade com outra pessoa, que aceitamos nos misturar, não dá pra nos separarmos sem que percamos um pouco de nós mesmos.
Mas repare no que acontece se tentarmos misturar duas massinhas diferentes…uma mais mole e outra bem dura, por exemplo. Não vai misturar direito, a não ser que você invista algum tempo nessa tarefa.
E mais uma vez, as pessoas são assim. Quando duas pessoas muito diferentes tentam se juntar, percebem logo que não dá. Mas sei lá, às vezes por algum motivo elas resolvem se esforçar, e acabam virando uma só, encontrando um ponto de equilíbrio.
A questão é que muitas das vezes em que nos machucamos é quando ficamos tentando tirar de nós os pedacinhos da outra massinha. Nos machucamos porque, ao fazer isso, também estamos perdendo uma parte de nós. Então por que as pessoas simplesmente não se juntam com todos que lhe fizerem bem, e aceitam os vestígios que eles deixam como pedaços da própria identidade? Afinal, você também está deixando suas cores em outras pessoas (sem querer ser muito Cine ou Restart, eca), não é justo que simplesmente fique com algo em troca?
Então não tente encontrar pessoas perfeitas. Tente achar aquelas que vão deixar os pedaços mais preciosos em você, quando elas inevitavelmente se forem.

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