Nunca fui dessas que ficam cheias de emoção em época de fim de ano. Aliás, pela mente de muitas pessoas, sou desprovida de sentimentos, fria e cruel, sempre, o ano inteiro. Que seja.
Meu último dia de aula na escola esse ano foi diferente do habitual. Ninguém fazer nada no último dia é normal…mas a guerra de água que atingia qualquer um no pátio foi algo bem novo naquela escola. Molhada até os ossos, comecei a lembrar de como eram as coisas…

Último dia de aula é sempre meio molhado. Mas geralmente são as lágrimas que molham todo mundo, durão ou mulherzinha, e me pareceu que aquela brincadeira maluca nada mais era do que uma tentativa coletiva de sermos durões. Muita gente ali estava substituindo as lágrimas por água.
Pra quem já não está nos tempos de escola ou acha que eu estou sendo dramática demais, tente apenas imaginar um convívio diário, meio forçado, com pessoas que você não escolheu. Porque é bem assim. A gente nem escolhe quem vai sentar do nosso lado, quem vai dividir a fila da cantina conosco todos os dias. Por isso é uma grande coincidência quando os gênios batem e acabamos amigos de quase todo mundo. Isso sim é fazer uma bela limonada com os limões que a vida deu.
E aí de repente o ano tá acabando, e acho até normal que todo mundo se afaste um pouco nas últimas semanas pra se matar de estudar e passar nas últimas provas. As aulas vagas, que antes eram do truco, agora são pra ler livros e fazer anotações (coisa que muita gente devia ter feito o ano inteiro, mas como não fez, só agora resolve se empenhar…). Então as provas passam. E aí todo mundo percebe, numa epifania grupal, que o ano quase já era. E começam a brotar, de todos os lados, notícias de que fulano vai pra outra escola, ciclano também e o beltrano, que ninguém gostava, vai ficar. Isso quando não é o último ano e cada um vai pro seu canto, correr atrás de vestibular, emprego e até casa.
Eu, que sou desprovida de sentimentos, sinto uma agulhada por cada amigo que vai partir. Quem tem sentimentos então, deve ficar todo baleado. E no fundo todo mundo sente alguma coisa. Porque agora amamos as pessoas que éramos obrigados a aturar. E estamos simplesmente confortados com a presença delas, todos os dias, do nosso lado. Dói consideravelmente saber que muitas delas não estarão no próximo ano, até que chegue a hora em que ninguém mais estará. Mas é gratificante levar conosco tudo o que elas nos ensinaram e a diferença que fizeram em nossa vida, seja emprestando uma caneta ou o próprio ombro quando foi preciso.
Não acho que balões d’água em lugar de despedidas tornem as coisas mais fáceis. Já sinto falta de algumas pessoas perto de mim, e me arrependo por não ter tido a chance de dar tchau para algumas delas que posso não ver mais. Mas estou bem, afinal, não tenho sentimentos. =)





Paulista, estudante, cozinheira por lazer, ama chuva, detesta lagartixa. Rock + 






