“A Menina que Roubava Livros”

A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler. – Trecho da resenha oficial.

Nunca gostei muito de livros e filmes sobre guerras. É um assunto que raramente desperta meu interesse. Por isso, foi torcendo o nariz que comecei a ler “A Menina que Roubava Livros”. Acabei achando apaixonante, prende a atenção até o fim e revela fatos históricos de uma maneira que não te faz dormir.

Este livro é surpreendente por vários aspectos. Eu gostaria de destacar alguns deles. Primeiro, acredito que o grande objetivo de todo autor seja manter o leitor interessado até que o livro acabe. Os personagens, a história, o ambiente, tudo é direcionado para este objetivo primordial. Muitos escritores tentam manter essa atenção por meio de artifícios chamativos, ápices crescentes e sucessivos, personalidades incomuns e fortes, enfim. E foi justamente o costume em ver livros assim que me fez admirar este em especial. Não há personagens de muito impacto, tudo parece estranhamente comum, normal, como se fosse a história de um alguém qualquer, sei lá, podia até ser nosso vizinho. E mesmo assim você sente aquela necessidade boa de continuar lendo, de acompanhar a história. Fazer uma obra assim merece um mérito grande, que muitos leitores talvez não estejam aptos a reconhecer. Um diferencial interessante, mas nem por isso articuloso, foi colocar a Morte como narradora. Isso sim, tornou a história ainda mais espetacular, sem roubar a cena. Só cabe destaque à narradora quando é plausível. No restante, ela é apenas uma narradora com um ótimo senso de humor (negro).

Foi um livro que me fez rir e chorar, e tem um final memorável. Considero um livro que não se pode deixar de ler.
Ao terminar, cheguei a conclusão de que esse livro é diferente de tudo que já foi feito, principalmente por encarar toda essa coisa da guerra não como um fator principal, não como o motivo que desencadeou a história, mas como um acontecimento a mais na vida da personagem, um mero cenário. Achei até um pouco curto, faltando detalhes em alguns pontos pelos quais eu fiquei sedenta. Retrata uma visão interna da vida nazista, pelos olhos de uma criança, e faz isso muito bem.

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2 comentários em ““A Menina que Roubava Livros”

  1. Bruna Deliberalli disse:

    Adorei A menina que Roubava livros e acho muito interessante ver que a sua opinião sobre o livro é parecida com a minha.
    Parabéns pelo texto, muito bem escrito, por sinal.
    Obs: O motivo pelo qual eu acabei “descobrindo” a menina que roubava livros foi o seu Blog, em um post bem antigo. Agradeço por isso. Foi uma leitura maravilhosa que me fez chegar em uma conclusão coletiva: As pessoas me assombram. =)
    Beijos

  2. Makenna disse:

    Agora sim entendi esse livro! no inicio não consegui entender!

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